O fim ou o (re)começo - Por Daniela Firme

É duro ver que apesar de tanto amor na sua concepção, meu primeiro filho, ou melhor, disco (a analogia é merecida, acreditem) ainda não nasceu. Mais duro ainda é ver que ele ficou tanto tempo em gestação que serei obrigada à abortá-lo. Era um bebê já pós-maturo (ahhh, o neologismo, o eufemismo, a ironia...).

A boa notícia - afinal de contas sempre há de haver uma - é que pelo menos um dos muitos problemas que impediram esse parto está sendo resolvido: a inexperiência da mãe.

Devo explicar que Daniela (refiro-me agora em terceira pessoa à figura errante escondida atrás desse projeto, que vos escreve nesse momento e, diga-se de passagem, na maioria das vezes de Firme não tem muita coisa), mudou muito desde 2003, início (pasmem!) do meu projeto como compositora. O impacto no final das contas (e que contas!) foi inevitável e o objetivo, o clima, a cara, enfim, o conceito do projeto como um todo também acabou se transformando com o tempo.

A mudança será pra melhor? Não sei. Se você conhecia o trabalho antigo, adorarei saber sua opinião. Já o meu ponto-de-vista é que o que virá a seguir representa a única alternativa viável para a sobrevivência da minha veia criativa. Isso porque sou sim uma mulher movida a paixão, inspiração e desafios, mas os entraves encontrados longo dos últimos anos foram tantos e tão insistentes que acabaram por vencer a minha força de vontade. Não por muito tempo, é claro...

Minha decisão mais importante pra essa nova etapa é seguir à risca o método que mais funcionou na minha vida até hoje, especialmente na carreira musical: o do it yourself. Serei eu o time inteiro, o exército de uma mulher só, se necessário for, se isso significar mais agilidade e dinamismo à minha produção. E é claro, acho que não preciso nem dizer que darei meu melhor pra registrar minha arte da forma mais fiel que eu conseguir, seja qual for a qualidade do material disponível à mão.

Outra decisão que destacarei: gravar, regravar e rearranjar cada música quantas vezes achar necessário, disponibilizando inclusive essas que serão "eternas versões da mesma música" pra livre audição na internet. Afinal, eu sou rascunho... não me queira arte-final. Se sou plural, minha arte também tem que ser. Arte boa mesmo é arte crua, em carne viva, que quer explodir de tanta verdade imbuída. É nisso que eu acredito.

Viva a arte.
Viva a tecnologia a favor do artista independente.
Viva a imperfeição.
Viva a liberdade.
Viva a música como experimentação, prazer e transcendência.

Quero me conceder o direito de seguir em frente... e já que depois dessa concessão não sobra ninguém pra impedir mesmo... por que não? Vamo que vamo. O passado já nem existe mais...

Fonte - http://danielafirme.blogspot.com/2009/12/o-fim-ou-o-recomeco.html